Hoje resolvi dar umas dicas e também mostrar como é meu processo de produção. Entendam que eu não sou professor desta área, e portanto não tenho a pretenção de ensinar nada, esse post é mais para compartilhar do que qualquer outra coisa. Se quiserem aprender com os profissionais, procurem o pessoal do Dinamo Estúdio, eles têm uma equipe qualificada e muito acessível, dirigida pelo artista Daniel HDR.
Bem, tudo começa com o roteiro e vai variar de roteirista pra roteirista como as cenas vão vir descritas. Alguns autores são bem detalhistas enquanto que outros dão apenas uma idéia geral deixando a criação visual nas mãos do artista. No meu caso, tinha a seguinte descrição que recebi do Thiago Creczynski:
Pág. 4 – Cena de ação
Quadro 1 : Batalha entre a Wermacht e o exército aliado.
Q2: Um caminhão alemão para próximo a batalha com alguns soldados na carroceria. Um oficial alemão se aproxima de um soldado encapuzado e diz:
- Vá Überman, mostre a eles o poder ariano!
Como se pode ver, eu desmembrei a cena em um nº maior de quadros, para dar uma tensão maior a cena, o que não alterou o sentido da mesma. É importante manter um diálogo com o seu roterista pra não acabar mudando a cena demais, o que pode prejudicar o que havia sido planejado pra história.
Planejando a página
Eu costumo fazer sempre uma miniatura dá página antes de começar a desenha-la no formato A3, pois assim tenho uma visualização melhor do todo da ilustração, como os quadros se intregam e se completam. Também ajuda na hora de organizar a página quando desenhada num formato maior.

Faço quadrinhos bem pequenos, ou “thumbnails” como chama o Daniel HDR, que foi quem me passou essa dica. Algumas pessoas usam uma folha A4 inteira, ou metade de uma. Fica a critério de cada um. Geralmente faço um rascunho bem sujo, já que minha idéia é só posicionar as cenas mesmo.
Feito isso, passo para o formato profissional, ou seja, no tamanho A3. Ali meço o espaço para alocar os quadros e começo o desenho. Como sou meu próprio arte-finalista, não me procupo muito com alguns detalhes, que depois retoco na hora de passar a tina. Se no seu caso a arte a lápis é passada pra outra pessoa, não faça isso! Além de dificultar muito o trabalho do arte-finalista, você ainda corre o risco de o resultado ficar diferente do que esperava, e aí não dá pra por a culpa no coitado que fez a arte-final.

Arte Final
Depois que estou com o lápis pronto, passo para a parte da tinta. Para as linhas finas uso caneta 0.1 ou 0.5 e para as linhas grossas caneta 0.8 ou bico de pena, que permite uma gama mais variada de espessuras. As grande áreas negras faço com pincel, que é o mais rápido e mais adequado. Não estraga suas canetas e tem um resultado muito melhor.

As curvas eu faço com a curva francesa, se você não conhece esse material procure conhecer, pois é muito útil. Trata-se de uma régua com diversas curvas que podem se encaixar no que você desenhar. É meio chata de utilizar, mas vale a pena insisitir. Eu ainda luto pra dominar a técnica.
A pintura e a diagranação faço no Photoshop, depois de scanear a página para o computador e assim a página está pronta. Dá trabalho, mas vale a pena, hoje em dia é muito mais fácil, todos tem um acesso razoável a essa tecnologia, o que não quer dizer que se deve abandonar as técnicas tradicionais de pintura, que na minha opinião exigem mais prática e intimidade com o material, algo que não tenho ainda.
Espero que tenham gostado, sempre que possível vou compartilhar por aqui coisas interssantes e úteis! Abraço